Estava eu a assistir a um telejornal famoso quando me surpreendi com uma notícia vinda do Chile. Desde o dia cinco de agosto, um grupo de trinta e três trabalhadores está soterrado na Mina de San José, no deserto do Atacama, e esperam ansiosamente pelo resgate que poderá durar até quatro meses a partir da data do desastre.
Eles estão presos há quase um mês e já bateram o recorde de sobrevivência em situação similar, que pertencia a três mineradores chineses que amarguraram 25 dias de desespero em abril de 2010. Foi descoberto que os chilenos estavam vivos, quando uma sonda enviada para avaliar o estrago voltou com um bilhete de um dos trabalhadores.
O que me surpreendeu não foi a tragédia em si, mas uma das maneiras usadas para trabalhar a parte psicológica das vítimas. O governo chileno solicitou a ajuda da NASA para colaborar no resgate, pois a situação é muito semelhante à de astronautas que ficam meses confinados em estações espaciais com pouco espaço e com suprimentos regulados.

A equipe americana enviou quatro profissionais, um médico, um nutricionista, um engenheiro e um psicólogo. Os sobreviventes estão recebendo suprimentos através de pequenos túneis escavados diretamente da superfície e que possibilitam também o envio e recebimento de mensagens aos familiares. Mas eles não estão recebendo apenas comida e bebida...
Situações extremas como esta levam ao desespero qualquer ser humano. Imagine você soterrado há mais de 700 metros abaixo do solo, há mais de 20 dias comendo apenas atum, bolachas e leite. Junte isso com o desespero causado pela total escuridão e o cheiro insuportável que exala de três dezenas de homens suados e há quase um mês sem banho.
Isso foi um prato cheio para Albert W. Holland, psicólogo de Operações de Saúde e Conduta da NASA, um dos quatro enviados americanos ao local.
Holland é especialista no tratamento de pessoas com problemas de adaptabilidade em situações extremas (leia-se astronautas) e sugeriu o envio de DVDs, tocadores de música em MP3 e, por que não, videogames? Para manter elevado a moral dos trabalhadores.
Sim, videogames, precisamente PSPs. Os portáteis da Sony além de funcionarem de maneira catártica aos mineradores, ainda provém uma fonte extra de luz na escuridão. A situação é bem tensa e com uma distração como essa é possível até sorrir em meio ao desespero.

Videogames como tratamento terapêutico
De acordo com um editorial publicado em 2005 no BMJ (Jornal Britânico de Medicina), assinado pelo professor Mark Griffiths, da Universidade de Nottingham, os jogos eletrônicos têm alto potencial terapêutico, e, fazem com que os indivíduos trabalhem com atenção focada, esquecendo assim possíveis desconfortos, como a dor.
Isso já é sabido por muitos de nós, jogadores, e só colabora para que a desmistificação ao redor do assunto aumente e faça com que possamos ter um futuro melhor na visão geral que o mundo todo possui sobre videogames.
Num país como o Brasil onde jogos eletrônicos são taxados como "jogos de azar", são exemplos assim, de países irmãos que ainda me fazem acreditar que existe uma luz no fim do túnel. Sem trocadilho nenhum com os bravos mineradores chilenos...
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